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Incapacitante, artrite reumatoide afeta cotidiano e gera prejuízo milionário ao INSS

13/08/2015, publicado por

Dor, muita dor nas articulações. Esse é o principal sintoma de uma doença inflamatória crônica que afeta atualmente 2 milhões de pessoas no Brasil, sendo cerca de 90 mil somente em Pernambuco. A artrite reumatoide (AR) é um mal que atinge as “dobras do corpo” e que, se não for diagnosticada rapidamente, pode levar à incapacidade para a realização das atividades cotidianas, como pegar um copo e levantar da cama. Em casos mais avançados, há situações em que o paciente sofre lesões em órgãos importantes para o funcionamento do organismo, como o coração, pulmão e fígado, entre outros.

Um dado alarmante sobre a doença é que, entre os meses de fevereiro de 2014 e 2015, a AR e outras polioartropatias inflamatórias levaram à internação de 18.575 brasileiros em hospitais do Sistema Único de Saúde, gerando um custo total de R$ 11,8 milhões. Em Pernambuco, os centros de referência para atender esses casos são o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC/UFPE) e o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). Todos estão localizados no Recife.

O reumatologista Eliezer Rushansky alerta que, apenas no Huoc, cerca de 20 pessoas são diagnosticadas por mês com a enfermidade. “É importantíssimo que a artrite reumatoide seja identificada, pelo menos, nos três primeiros meses após os sintomas iniciais. Caso isso não aconteça, o paciente pode desenvolver sequelas permanentes e incapacitantes.”

Incapacitante, a artrite reumatoide afeta especialmente as mulheres (a cada quatro pacientes, três são do sexo feminino e um é homem). É comum que a enfermidade surja por volta dos 40 anos, no auge da vida profissional do indivíduo. Pesquisa divulgada recentemente em São Paulo mostra que a artrite reumatoide prejudica a vida profissional de 35% dos pacientes brasileiros: 17% pediram demissão; 16% mudaram de trabalho e 14% se aposentaram. O estudo foi realizado pela Nielsen, a pedido da farmacêutica Pfizer em 13 países.

De acordo com último levantamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), somente em 2013, as doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo (grupo em que se encaixa a artrite reumatoide) foram responsáveis pela aposentadoria de 111.348 brasileiros, gerando um custo de quase R$ 88 milhões à Previdência Social. Além disso, a AR também levou, entre janeiro e abril deste ano, cerca de 2.100 pessoas ao auxílio-doença no País.

A aposentada Angelita Antônia da Silva, 61 anos, que mora no bairro do Prado, Zona Oeste do Recife, recebeu o diagnóstico da doença há cerca de 15 anos. Passou aproximadamente dois anos por diversos médicos até descobrir o que a fazia sentir tantas dores nas articulações. Até lá, a falta da medicação correta fazia com que ela sofresse crises recorrentes, que levavam a faltas no trabalho.

“Passava até 15 dias de atestado médico, voltava a trabalhar por um mês e depois retornava com as crises. Cheguei a ficar quatro meses no auxílio-doença e não me aposentei por invalidez porque não quis. Eu me arrastava para ir ao trabalho até conseguir me aposentar por tempo de serviço. Só eu sei o que passei. Era muita dor: parecia uma dor de dente forte e que tomava conta do corpo todo”, relembra Angelita.

Sentir muitas dores nas articulações, peregrinar por unidades de saúde públicas ou privadas para tentar descobrir o problema de saúde. Essa é a realidade de 43% dos 2 milhões de brasileiros que foram diagnosticados atualmente com artrite reumatoide. Os dados são de uma pesquisa pioneira sobre a doença. Realizado pela farmacêutica Pfizer e conduzida pelo Instituto Ipsos em cinco capitais do País (Recife, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre), o estudo foi divulgado recentemente na capital paulista.

O levantamento Não ignore sua dor: pode ser artrite reumatoide ouviu 200 pacientes e revelou que, entre as cidades pesquisadas, Recife é aquela onde residem pacientes que passam menos tempo para descobrir o mal que os aflige. Na capital pernambucana, 65% dos doentes descobrem em menos de um ano que tem artrite reumatoide. Em seguida, aparecem São Paulo (60%), Belo Horizonte (55%), Rio (43%) e Porto Alegre (25%). A pesquisa ainda aponta que, entre as pessoas que descobriram a doença nos primeiros 12 meses, a maioria (76%) frequentava consultórios particulares.

Avanço no tratamento

O estudo serviu para que a empresa farmacêutica Pfizer lançasse no mercado brasileiro um novo medicamento que promete revolucionar o tratamento da artrite reumatoide. Batizado de Xeljanz, o remédio é indicado para adultos com a doença na fase moderada a grave e que tiveram intolerância ou não responderam aos tratamentos sintéticos ou biológicos. Administrado via oral, o comprimido precisou de cerca de 20 anos para ser desenvolvido.

Antes de ser aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o medicamento passou por testes que envolveram 5,7 mil pessoas em 40 países – entre elas, a dona de casa Ivone Ferreira. Há cinco anos, ela toma o novo produto duas vezes por dia e revela ter notado uma grande melhora em seu quadro clínico. “Quando entrei na pesquisa, não aguentava mais aquelas dores. Eu faria qualquer coisa para acabar com aquilo. Não queria ser uma pessoa incapaz, dependente. Foi um milagre ter entrado nesse programa”, diz a paciente.

O diretor médico da Pfizer Brasil, Eurico Correia, acredita que o fármaco é um avanço importante no tratamento das pessoas diagnosticadas com artrite reumatoide. “Xeljanz apresenta o mesmo perfil de eficácia e segurança dos medicamentos biológicos, mas com a comodidade de ser oral. Além disso, ele trouxe benefícios até para aqueles que já não respondiam aos demais produtos. O preço dele também será menor do que a média paga pelo SUS para os demais tratamentos de artrite reumatoide”, explica Eurico Correia.

O novo produto custa, em média, R$ 3.450 (R$ 1.250 a menos do que a média dos medicamentos utilizados atualmente). A empresa farmacêutica está em negociação com o Governo Federal para colocá-lo na gama de tratamentos de alto custo fornecidos pelo serviço público.

Fonte: NE10